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Se Carlos Gracie é considerado o pai do Brazilian Jiu Jitsu e Conde Koma o avô, quem seria o filho da arte suave? Sem sombra de dúvidas, o seu irmão mais novo e principal pupilo, Hélio Gracie!

Hélio Gracie Faixa Vermelha

 

Seu irmão, o visionário Carlos Gracie, foi considerado o “cabeça” na difusão do Jiu Jitsu pelo mundo. Dotado de uma inteligência única e uma sabedoria iluminada, Carlos talvez tenha sido o primeiro a ver no Jiu Jitsu o potencial que hoje todos conhecemos. Porém, para que a popularização do esporte fosse possível, o garoto franzino foi peça fundamental.

O Gracie Jiu Jitsu – ou Brazilian Jiu Jitsu – não seria o que é hoje sem Hélio. As técnicas da arte tradicional eram eficiente, porém exigiam muito das valências físicas do praticante. Foi a partir dos cuidados de Hélio Gracie que as alavancas foram otimizadas e a arte tornou-se mais democrática.

Então, fique aí e embarque na história de um dos nomes mais conhecidos na história da arte suave: O Grande Mestre Hélio Gracie!

De Belém do Pará ao Rio de Janeiro

Hélio Gracie, nascido em 1902 – na cidade de Belém, Pará -, foi o filho caçula de Gastão. Diferente dos seus 8 irmãos mais velhos, Hélio apresentou um biotipo peculiar: Era alto e magro. Não obstante, o garoto de aparência frágil apresentava sérios problemas de saúde.

Sua infância foi difícil, não apenas pelo seu aspecto frágil, mas também pelo aspecto financeira. A Família Gracie passou por apuros na sua cidade natal, Belém do Pará, e teve que se mudar para o Rio de Janeiro ainda durante sua adolescência. Além disso, alguns dos seus irmãos tiveram que morar separados, e Hélio foi um deles. Durante alguns meses, morou com seus tios e trabalhou em um clube de remo. Porém, aos 14 anos, voltou para os seus pais, junto de Carlos.

Família Gracie Hélio Carlos
Hélio Gracie com alguns membros de sua família.

Agregado à sua saúde debilitada, Hélio passou então a sofrer de tonturas crônicas, como consequência de sua instabilidade psicológica. Sua dificuldade era tanta que, volta e meia, desmaiava ao tentar subir um lance de escadas.

Hélio, então, convenceu sua mãe de que estava muito debilitado para ir a escola. Desde então, parou de frequentar o colégio, estudando e aprendendo de casa.

Um observador do Jiu Jitsu Tradicional

Durante seus anos em Belém, Hélio Gracie teve pouco contato com Mitsuyo Maeda. Tudo que aprendeu sobre Jiu Jitsu nessa época, veio das tentativas de Carlos Gracie em ensinar as técnicas a seus demais irmãos. Enquanto os seus irmãos lutavam e testavam os movimentos entre si, o caçula apenas assistia. Suas tentativas de integrar o grupo eram falhas, já que Carlos o privava de treinar devido a seu aspecto franzino.

Portanto, ao invés de praticar, Hélio ficava do lado de fora. De lá, analisava os movimentos, tentando compreender as alavancas do Jiu Jitsu. Uma vez ou outra, seus demais irmãos “rolavam” com Hélio, escondido de Carlos, que ainda temia pela fragilidade de seu caçula.

Mesmo com um treinamento indireto, Hélio passou a conhecer os movimentos que Conde Koma ensinou a seu irmão alguns anos antes. Quando Carlos passou a permiti-lo durante a prática, o caçula já dominava alguns movimentos da arte.

Hélio Gracie: Um mestre em ascensão

Já com seus 16 anos de idade, Hélio viu a oportunidade de dar aulas de Jiu Jitsu pela primeira vez. Seu irmão mais velho Carlos, havia marcado uma aula com o então diretor do Banco do Brasil na cidade maravilhosa. Porém, quando o aluno chegou, o professor estava atrasado. Hélio então se prontificou a cobrir sua ausência, já que conhecia a arte há um bom tempo. Quando Carlos chegou, pedindo desculpas pelo atraso, ficou surpreso com a reação do seu aluno. O caçula havia dado uma excelente aula, mesmo sem a prática do Jiu Jitsu.

Foi então que Carlos permitiu que o jovem se torna-se um dos instrutores do “Clã dos Gracies”, junto com seus irmãos.

Carlos Gracie Hélio Gracie Família Gracie Jiu Jitsu
Carlos Gracie e seu irmão Hélio, em exibição do Brazilian Jiu Jitsu.

A transformação do Jiu Jitsu Tradicional em Gracie Jiu Jitsu

Devido a sua dificuldade em executar certos movimentos do Jiu Jitsu de Conde Koma, Hélio buscou adaptá-lo. A força e a rapidez, que eram essenciais para a execução dos movimentos, foram trocadas pelo uso do peso corporal e controle. E foi através da tentativa e falha, que Hélio transformou as alavancas do Jiu Jitsu. Nasce aí, o Brazilian Jiu Jitsu que conhecemos hoje.

Ao longo dos anos, o BJJ foi se moldando em direção ao que é hoje. Porém, Hélio sempre foi muito enfático em sua visão da arte suave:

O Jiu-Jitsu que criei foi para dar chance aos mais fracos enfrentarem os mais pesados e fortes. E fez tanto sucesso, que resolveram fazer um Jiu-Jitsu de competição. Gostaria de deixar claro que sou a favor da prática esportiva e da preparação técnica de qualquer atletaseja qual for sua especialidade. Além de boa alimentação, controle sexual e da abstenção de hábitos prejudiciais à saúde. O problema consiste na criação de um Jiu-Jitsu competitivo com regras, tempo inadequado e que privilegia os mais treinados, fortes e pesados. O objetivo do Jiu-Jitsu é, principalmente, beneficiar os mais fracos, que não tendo dotes físicos são inferiorizados. O meu Jiu-Jitsu é uma arte de autodefesa que não aceita certos regulamentos e tempo determinado. Essas são as razões pelas quais não posso, com minha presença, apoiar espetáculos, cujo efeito retrata um anti Jiu-Jitsu.

Hélio Gracie, de instrutor a lutador

Mas não foi apenas por otimizar as alavancas do Jiu Jitsu que Hélio ficou famoso. Assim como Royce fez na década de 90, enfrentando lutadores maiores e de outras artes marciais, Hélio também “peregrinou” de forma a provar a eficiência da sua arte.

Essa missão iniciou em 1932 quando Gracie encarou o então boxeador profissional Antônio Portugal. A luta durou apenas 30s e terminou com uma finalização, para a surpresa do pugilista. Em seguida, Hélio enfrentou o americano Fred Albert por nada menos que 14 rounds de 10 minutos! Depois de mais de 2 horas de combate, a luta foi interrompida pela polícia.

Mas a grande popularização dos duelos veio a partir da rivalidade entre a Família Gracie e os judocas. Talvez o combate mais famoso na época foi contra o judoca Masahiko Kimura.

Comprovando a eficiência do Brazilian Jiu Jitsu

Após vencer o japonês Kato, vice campeão mundial de Judô, no Estádio do Pacaembu (em um desempate épico) Hélio desafiou o conhecido Kimura. Masahiko Kimura era o atual campeão mundial de Judô, na categoria peso-pesado e estava no Brasil numa expedição que visava difundir o Judô pelo mundo.

O japonês debochou de Gracie, dizendo que acabaria com a luta em menos de 3 minutos. Foi então que a luta foi marcada e mobilizou nada menos que 40.000 pessoas, em pleno Maracanã! Apesar das investidas de Kimura, a luta passou dos 10 minutos, terminando o 1º round.

Foi apenas no 2º round que, após uma queda que deixou Hélio insconsciente, o japonês cresceu. Na sequência, Masahiko Kimura encaixou sua finalização, numa variação do juji-gatame que os próprios Gracies nomearam, anos mais tarde, de Kimura! Apesar do ajuste certeiro e dos “estralos” sofridos no braço, segundo o próprio japonês, Hélio se recusou a bater. Porém, ao perceber o estrago que poderia ser causado, seus irmãos jogaram a toalha pondo fim na luta.

Masahiko Kimura e Hélio Gracie
Kimura (à esquerda) cumprimenta Hélio (à direita).

Apesar da derrota, Hélio Gracie saiu do Maracanã com seu objetivo cumprido: Provar a eficiência da arte que criou. Ele, muito mais leve que seu adversário e nada atlético, conseguiu manter a luta viva por 18 minutos, com o melhor judoca do mundo. Além disso, enquanto Kimura esteve vivo, sempre enalteceu a coragem de Hélio Gracie, que se recusava a desistir do combate.

O Legado de Hélio Gracie

Além de pai de família, lutador e mestre de Jiu Jitsu, Hélio passou por um episódio peculiar nas praias do Rio de Janeiro. Ao atirar-se no mar para salvar um homem do afogamento, recebeu uma medalha de honra ao mérito.

Hélio Gracie continuou lutando até os seus 43 anos de idade. Foi quando enfrentou Waldemar Santana, seu ex-aluno, 20 anos mais novo e quase 40 quilos mais pesado. O combate entrou para a história como uma das mais longas lutas já vistas, terminando com um fatídico K.O por parte de Waldemar após quase 4 horas de luta! Daí iniciou-se a rivalidade entre os Gracies e os Santanas e criou a polêmica do Vale-Tudo. Na época, os combates ficaram proibidos pela polícia, sendo suplementado por lutas de Jiu-Jitsu ou combates clandestinos.

Apesar do desgaste sofrido por longas honras de treinamento e lutas intermináveis, Hélio teve uma velhice saudável. Não fosse pela prática do Jiu Jitsu e uma dieta rigorosa, o filho do BJJ não chegaria aos seus 95 anos. Foi em 29 de janeiro de 2009 que Hélio deixou o nosso mundo para entrar para a história. Gracie foi, não só um exemplo de lutador, mas um exemplo de homem. Buscou até o fim lutar pelos seus ideais, levantar a bandeira do Jiu Jitsu e defender a sua família com unhas e dentes.

Se inspire no filho do Jiu Jitsu Brasileiro

Para concluir este post, deixamos aqui algumas das suas mais famosas citações. Espero que esse ícone do Brasil e do esporte, possa inspirá-lo a seguir seus sonhos e nunca desistir frente situações de adversidade. Precisamos de mais homens como Hélio Gracie, não apenas no Jiu Jitsu, mas na vida.

”Para o estrangulamento encaixado não existe cara forte” – Hélio Gracie

“Minha vida começou com o Carlos Gracie. Foi ele que me educou, me passou um regime moral, me deu coragem… Mesmo depois de adulto, ele continuava responsável por mim, me dava casa e comida. O que eu tinha, melhorei. O que não tinha, adquiri” – Hélio Gracie

“Prefiro apanhar com moral do que ganhar com covardia, então sempre digo aos meus alunos que perder não é vergonha” – Hélio Gracie

“Eu lutei contra homens 60 kg mais pesados e por que eu vencia todos eles? Porque dominava a arte de não apanhar” – Hélio Gracie

“Quando você tem mais confiança em si mesmo, você é automaticamente mais tolerante. Você tem condição de meditar de se pôr no seu devido lugar sem precisar lutar, e isso assusta os valentões.” – Hélio Gracie

E aí leitor, se surpreendeu com a história do Grande Mestre Hélio Gracie?

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Hélio Gracie: A história do filho do Brazilian Jiu Jitsu

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