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O momento mais esperado do ano, no cenário do Jiu Jitsu competitivo, é sempre o Mundial IBJJF. É lá que as técnicas modernas surgem e confundem os desavisados. É nele que os campeões consagrados se testam com a nova geração. E é na “pirâmide” que vemos boa parte das lendas do esporte se despedirem das competições, enquanto os faixas marrons se graduam no pódio, para cobrir esse vazio.

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O “Everest do Jiu Jitsu”.

Além de tudo isso, todo Mundial IBJJF trás um aprendizado imenso para os que apreciaram o show com atenção. Ao fim de cada evento a motivação se renova, frente a todas cenas de superação. Por outro lado, os erros e as lamentações servem de aprendizado para os mais otimistas. Até as polêmicas são indispensáveis para completar um bom show.

Por isso, após esse tempo de reflexão, levantamos os aprendizados do evento. Apesar de termos listado apenas sete, fica difícil contar nos dedos os melhores momentos.

Leia agora as 7 coisas que aprendemos com o Mundial IBJJF 2018:

1 – Desistir não é uma opção

A categoria meio-pesado era uma das mais emboladas do evento. Com diversos nomes de destaque, era certo que a disputa seria imprevisível. Dentre os grandes nomes estavam Rudson Mateus, Horlando Monteiro, Mateus Diniz, Gustavo Batista, Renato Cardoso, Lucas Barbosa, Charles Negromonte, Murilo Santana, DJ Jackson… e a lista continua!

O sábado acabou sem grandes surpresas. Porém, já no domingo, nas quartas de finais, a pirâmide presenciou um momento ímpar de superação. Matheus Diniz, um dos favoritos pro ouro enfrentava Lucas Barbosa. O aluno de Marcelo Garcia começou bem e abriu 6 a 0 com uma queda e uma pegada de costas. Foi aí que Diniz tentou avançar e buscar o estrangulamento que muitos acharam ser o fim de Hulk no evento.

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Momento em que Hulk é quase finalizado enquanto perdia de 6 a 0.

Mas desistir não era uma opção para Lucas Barbosa! Mesmo com o ataque justo, Lucas conseguiu sair da posição de defesa e não parou até conseguir o que queria. Assim, foi para as costas de Matheus e finalizou a luta com poucos minutos para o fim.

É disso que os campeões são feitos. Não foi a toa que Lucas Barbosa chegou a final, fechando a categoria mais imprevisível da faixa preta com seu parceiro de treino Gustavo Batista. Parabéns aos pupilos de André Galvão pelo resultado!

Treinamento consciente: Aprenda neste post como repetir as posições que você aprende no Jiu Jitsu

2 – Trabalhe em silêncio e deixe o seu sucesso fazer barulho

Se você não sabia quem era Gustavo Batista, agora você sabe. Enquanto Lucas “Hulk” ia além dos limites e se superava, “Braguinha” teve uma campanha impecável do outro lado da chave. O jovem catarinense de apenas 22 anos vinha se destacando nas faixas coloridas, conquistando o ouro duplo em todos os 4 maiores eventos da federação.

Ao final da sua faixa marrom Gustavo já havia vencido faixas pretas consagrados como Xande Ribeiro e José Júnior. Após graduado preta, mateve-se no topo dos campeonatos que disputou e já somava vitórias sobre outros veteranos.

Porém, às vésperas do Mundial IBJJF 2018, pouco se falava seu nome. Na lista de favoritos e nas previsões dos especialistas, os campeões da meio-pesado eram outros. Braguinha manteve-se calado e trabalhou duro. Em seu primeiro Mundial IBJJF na faixa preta, soltou seu Jiu-Jitsu. O resultado disso foi o fechamento da categoria junto com seu companheiro de equipe.

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(Fonte: Flograppling)

Aprenda aqui as 11 técnicas ensinadas por Gustavo Batista, que fizeram o garoto tornar-se campeão mundial na faixa preta com 6 anos de Jiu Jitsu.

3 – A Torcida também luta!

Já na final feminina da faixa preta peso pluma, presenciamos um dos momentos mais inusitados do evento. Talita Alencar, até então campeã da categoria, e Amanda Monteiro, em seu primeiro ano de faixa preta, tiveram campanhas impecáveis até as finais.

Já na grande decisão, com uma trocação em pé acirrada, era difícil dizer quem vencia. Foi ali, enquanto o placar decretava empate, que a torcida começou a fazer barulho contra Talita. Por um momento a faixa-preta da Alliance se mostrou incomodada com as provocações o que fez com que a gritaria só aumentasse.

Então, enquanto o árbitro pedia para as atletas amarrarem as faixas, Talita decidiu respondeu as provocações, sambando por um momento. Para infelicidade dela, o árbitro marcou punição pela atitude, mudando o rumo da luta dali pra frente. Apesar de ainda restar tempo, Talita não conseguiu reverter o placar. Amanda manteve-se firme e não cedeu uma vantagem, conquistando o ouro ao fim do tempo.

5 – Gratidão vem antes do sucesso!

Isaque Bahiense, que hoje representa a Alliance, fez uma campanha ímpar. Com muito ímpeto e um Jiu Jitsu agressivo, Isaque atropelou seus adversários em busca do ouro. Foi aí que a pirâmide aplaudiu o jovem sonhador de Bangu.

Isaque, que havia começado Jiu Jitsu aos 11 anos na Nova União Bangu, mudou-se para São Paulo aos 18 anos para viver do Jiu Jitsu na Alliance, até então a número 1 do mundo. Foi lá que se destacou como faixa-preta e veio a se tornar o grande campeão mundial entre os pesos médios.

Porém, o momento mais marcante se deu nos bastidores. Enquanto os árbitros chamavam a final do meio-pesado, um registro emocionante se deu na arquibancada. Após descer do pódio, Bahiense se dirigiu até Fábio Andrade, seu primeiro professor. Então, lhe presenteou com a medalha de ouro recém conquistada, levando ambos as lágrimas. Isso provou que campeões como ele sabem que a gratidão é muito mais importante que o próprio sucesso.

https://www.instagram.com/p/Bjstb7_gfGq/?taken-by=jiujitsuway

Isaque Bahiense ensinou as suas posições preferidas para a BJJ Nerd. Além disso, nos contou todo seu trajeto até a faixa preta em um documentário emocionante. Ambos conteúdos serão lançados no mês de Julho na plataforma da BJJ Nerd.

6 – Você não precisa fazer cara de mal pra ser temido

Se você encontrar Michael Musumeci no tatame, sem faixa, encostado na parede com seu óculos e sorriso no rosto, provavelmente julgaria que o garoto estava perdido por ali. Azar o seu!

Musumeci é um americano pra ninguém botar defeito. Ele é um guardeiro nato, porém com uma passagem de guarda justa e ataques de berimbolo impressionantes. Esse ano apresentou um Jiu Jitsu progressivo, finalizando boa parte de suas lutas, inclusive a grande final contra Ary Farias.

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(Fonte: Flograppling).

 

Mas o que mais cativou o público foi seu carisma. Sempre com um sorriso no rosto e respeito sem igual por seus adversários, Mikey Musumeci levantou o público que torceu por ele do início ao fim. E foi antes de completar 22 anos, que Mikey se consagrou bicampeão mundial na faixa preta. E mais: o garoto tornou-se assim o primeiro americano a conquistar os dois ouros na faixa preta.

 

Você comete esses 5 erros no seu treinamento? Se você quer melhorar seu gás, é melhor parar!

7 – Algumas coisas são mais importantes do que títulos

Se houve um momento que poderia ser considerado o mais importante desse evento, foi esse! Na grande final absoluto da faixa-preta encontraram-se os amigos e rivais Marcus Buchecha e Leandro Lo.

Antes da grande decisão presenciamos um contraste entre as duas campanhas. Enquanto Buchecha fazia história, sendo o primeiro faixa preta a conquistar 11 títulos mundiais, superando o feito de Roger Gracie, Leandro Lo vivia momentos complicados.

Isso porque, na final do super-pesado, Leandro Lo lesionou seu ombro e, após muito tentar, teve que parar. Entregou a luta e a chance de se tornar campeão mundial na quarta categoria diferente. Apesar disso, o que mais pesava para Leandro era a impossibilidade de lutar a grande final nesse estado.

Foi então que o announcer chamou a grande final do absoluto e Leandro já apareceu com o braço enfaixado, confirmando ao público que a luta não aconteceria. Porém, Buchecha falou aos ouvidos do árbitro e, para a surpresa de muitos, a mão de Leandro Lo foi levantada.

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Buchecha abriu mão de fazer história e conquistar o seu 6º duplo ouro na faixa preta para dar o título ao seu amigo. Leandro, que sempre deixou claro que seu maior objetivo era ser campeão mundial absoluto, não imaginaria que chegaria lá dessa forma. Buchecha mostrou ao mundo que o Jiu Jitsu lhe dá muito mais que títulos!

E aí leitor, o que achou do Mundial IBJJF 2018? Que outros momentos ficaram marcados para você desse grande evento? Responda nos comentários contribuindo com o aprendizado!

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